Quando a criança tem medo de falar, quase nunca é só sobre fala
- Dra Beatriz Guntzel

- 20 de mai.
- 2 min de leitura
Existem crianças que sabem o que querem dizer.
Elas pensam, organizam a frase; mas na hora de começar, algo trava.

A palavra não sai, o corpo hesita.
Vêm os “ahn…”, as interjeições, o olhar inseguro, o medo de errar antes mesmo de tentar.
Muitos pais acreditam que isso acontece apenas por timidez ou dificuldade de comunicação.
Mas, na prática clínica, percebo que muitas crianças estão vivendo um excesso de tensão interna.
Elas sentem demais.
Observam demais.
Tentam acertar demais.
E, aos poucos, falar deixa de ser espontâneo. Passa a ser um território de medo.
Recentemente, uma mãe do grupo CorAVox me enviou uma mensagem que me emocionou profundamente. Sua filha estava travando antes de iniciar conversas. Existia um “engasgo” na fala, como se a criança precisasse vencer uma barreira invisível antes de conseguir se expressar.
Com as práticas realizadas em casa, exercícios sonoros, frases ditas ao ouvido e mudanças sutis na postura materna, ela começou a perceber algo diferente:
“Houve uma melhora significativa na fala. Ela não está mais com aquele engasgo e travando antes de iniciar uma conversa.”
Mas o trecho mais importante do relato veio depois.
A mãe percebeu que não era apenas a filha que precisava encontrar a própria voz.
Ela mesma precisava desacelerar.
Precisava escutar melhor.
Silenciar mais.
Acolher mais.
E escreveu algo extremamente simbólico:
“Estamos fazendo juntas o exercício de respiração e isso está gerando uma conexão maravilhosa. Me fez voltar ao estado de presença que eu tinha perdido com a correria do dia a dia.”
Esse ponto é essencial.
Porque muitas vezes a criança não melhora apenas quando “treina fala”.
Ela melhora quando o ambiente deixa de apertar o seu sistema nervoso.
Quando ela sente menos pressa.
Menos correção.
Menos tensão no olhar adulto.
A fala infantil é profundamente relacional.
Uma criança segura emocionalmente não precisa calcular tanto antes de existir diante do outro.
No CorAVox, eu observo frequentemente que, por trás de dificuldades na comunicação, existem famílias cansadas, aceleradas e desconectadas da presença.
Pais que amam seus filhos — mas que foram engolidos pela rotina, pela ansiedade e pela necessidade constante de resolver tudo rápido.
E a criança sente isso no corpo.
Por isso, às vezes, o caminho não começa corrigindo palavras.
Começa reconstruindo conexão.
Respirando junto.
Olhando nos olhos.
Criando espaço seguro para a fala existir sem medo.
Porque quando uma criança percebe que não precisa performar para ser ouvida… a voz começa a encontrar passagem novamente. Conheça o CorAVox Pais e Filhos, clique aqui!




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