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Quando a voz aprende a existir: um caso clínico que será apresentado no IALP Associação Internacional de Ciências da Comunicação e Distúrbios da Comunicação.

  • Foto do escritor: Dra Beatriz Guntzel
    Dra Beatriz Guntzel
  • 17 de mar.
  • 2 min de leitura

Apresentarei na Conferência da IALP esse estudo de caso que ilustra algo que observo com frequência na clínica: dificuldades de comunicação que não se explicam apenas por fatores motores ou estruturais da fala, mas também pela história comunicativa vivida ao longo da vida.


A paciente, uma mulher adulta e mãe de dois filhos, procurou atendimento relatando uma queixa aparentemente simples: sentia que não conseguia se fazer ouvir dentro da própria casa. Mesmo quando falava com clareza, seus filhos frequentemente ignoravam suas orientações ou não respondiam à sua fala.


Durante a anamnese, emergiu um elemento importante de sua história. Na infância, ela relatava ter sido frequentemente desvalorizada quando tentava se expressar. Ouviu diversas vezes que era “fraca” ou que “ninguém prestava atenção no que ela dizia”. Com o passar dos anos, essa experiência foi moldando a forma como utilizava a própria voz: com pouca intensidade, pouca sustentação e dificuldade de manter presença comunicativa.


Na avaliação clínica, além da análise fonoaudiológica tradicional, utilizamos o CorAVox, uma ferramenta baseada em inteligência artificial que analisa marcadores da comunicação vocal, como estabilidade da emissão, presença vocal, coerência expressiva e sustentação da fala.


A análise inicial indicou um padrão de baixa estabilidade comunicativa, com redução de intensidade vocal e dificuldade de sustentar a fala com firmeza. Dentro do modelo de evolução comunicativa utilizado pelo CorAVox, a paciente encontrava-se em um estágio inicial de reorganização da comunicação.


O processo terapêutico envolveu exercícios de coordenação pneumofonoarticulatória, projeção vocal, consciência da presença comunicativa e práticas voltadas à sustentação da fala. Ao longo das semanas, observou-se progressiva melhora clínica.


Na reavaliação, tanto a observação clínica quanto os indicadores do CorAVox mostraram uma mudança significativa no padrão comunicativo. A paciente passou a apresentar maior estabilidade vocal, mais presença na fala e maior segurança ao se expressar.



Curiosamente, a mudança mais significativa relatada pela própria paciente ocorreu no ambiente familiar: ela passou a perceber que seus filhos respondiam mais prontamente quando falava.


Esse caso reforça um ponto fundamental da prática fonoaudiológica contemporânea: a voz não é apenas um fenômeno fisiológico. Ela também carrega história, experiências e padrões aprendidos de comunicação.


Ferramentas tecnológicas como o CorAVox não substituem a escuta clínica, mas podem ampliar a capacidade de observação do profissional, contribuindo para diagnósticos mais precisos e para o acompanhamento da evolução terapêutica.


A voz, muitas vezes, precisa primeiro aprender que tem espaço para existir.



Para saber mais , entre em contato com minha equipe no WhatsApp 11 - 98939-0987, ou clique aqui!


Abraços , Dra Beatriz .


 
 
 

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